7 de dezembro de 1917
França
Querida Caroline
Peço desde já desculpa por já não te escrever à mais de um mês, mas por aqui as coisas estão muito difíceis. Provavelmente o teu desejo seria com que esta carta te trouxe-se alguma paz interior, mas eu não te vou mentir, esta guerra está longe de acabar, se no inicio isto estaria resolvido em pouco tempo, agora não tem data para terminar.
Nesta última semana lançaram uma granada para a trincheira onde me encontrava. Escapei ileso, mas os meus companheiros não tiveram tanta sorte.
Espero que o Thomas esteja de boa saúde, diz-lhe que o pai dentro em breve estará aí para jogar à bola com ele. Recrutaram novas tropas, miúdos de apenas 16 anos foram obrigados a vir assistir a este “espetáculo” sangrento. Um deles, faz-me lembrar o nosso filho, cabelo dourado e os mesmos olhos azuis. Tem apenas 17 anos é um miúdo ainda, deixou a mãe sozinha com 4 irmãos, o pai também morreu aqui, afogado por aquele maldito gaz.
Tenho saudade daquela tua sopa de feijão. Sim, aquela que eu detestava. Aqui não há muito por onde escolher. Sinto também a falta de um banho, um simples banho quente. As condições de higiene aqui, são precárias. Estás rodeado de corpos que são comidos até não sobrar um pedaço de carne, por aqueles ratos imundos, as ratazanas.
Há uns dias atrás, fui obrigado a ir para a frente de guerra, e por isso passar pela “Terra de ninguém” caí numa profunda cratera, chovia torrencialmente e a lama chegava-me até á cintura, cheguei mesmo a pensar que aquele seria o meu fim, rezei a que eu pensava ser a minha última oração. Por minha sorte um companheiro meu ajudou-me a sair daquele sítio. Arriscou-se a ser morto por uma daquelas metralhadoras, arma mortífera e de grande calibre.
Por agora estou bem. Acabaram de chegar uns grandes carros de guerra, alta tecnologia capaz de ultrapassar os terrenos mais acidentados.
Bem, terei de ir, já me estão a chamar. Espera notícias minhas com todo o amor.
Luke Hemmings
Trabalho realizado por :
Carolina Barros, nº6 - 9ºD